A nova Revolução do Agronegócio Brasileiro: A Era dos Biológicos!

Por: Jean Marcel Ragugnetti Furlaneto

e-mail: jeanmarcelfurlaneto@gmail.com

O cenário do agronegócio brasileiro nas últimas três décadas tem passado por uma verdadeira revolução. O crescimento exponencial da população acarreta a necessidade de dobrarmos a produção de alimentos até 2050. Mas o que isso tem a ver com o cenário e o crescimento do agronegócio brasileiro? Um recente estudo apresentado pela EMBRAPA, aponta que o país é responsável por cerca de 10% da produção mundial de trigo, soja, milho, cevada, arroz e carne bovina, e que estes números por si só significam que estaríamos alimentando 10% da população mundial, ou 800 milhões de pessoas – incluída a população nacional.

A pressão mundial vai em contra corrente a isto. Vivemos num cenário onde os países que mais consomem no mundo não são necessariamente aqueles que mais produzem, e levam a cobranças em países produtores para que ao mesmo tempo preservem suas florestas (uma vez que a destes países encontra-se praticamente na integra devastadas), e ao mesmo tempo produzam alimentos em escalas exponenciais. A conta é simples, e por si só não fecha. Como produzir mais, sem aumentar a área? Aí está a resposta para o que o cenário do agronegócio brasileiro tenha passado pela chamada revolução.

Além de aumentarmos a produção, a outra premissa exigida pelo mercado global é a de alimentos cada dias mais “limpos”, sustentáveis e de procedência. Neste cenário, o mercado de bioprodutos ligados a agricultura tem ganho a cada dia papel mais decisivo. Globalmente a adoção de biodefensivos agrícolas movimentou em 2020 mais de 5 bilhões de dólares, com um crescimento médio de 14,4%, e com expectativas de que até 2025 haja a movimentação de pelo menos 8 bilhões de dólares. Na América Latina, o Brasil é líder na adoção de biodefensivos e em 2020, apresentou crescimento superior à média global (30% versus 14,4%). 

Em um estudo recente divulgado pelo BIP – Business Inteligence Panel Safra 2019-20, da consultoria Spark Inteligência Estratégica, registrou-se um avanço na adesão de agricultores brasileiros a produtos de base biológica para controle de pragas e doenças. Conforme a Spark, esse mercado já movimenta R$ 930 milhões no país ou US$ 237 milhões, equivalentes a cerca de 2,5% do faturamento local do setor de proteção de cultivos, hoje da ordem de US$ 12 bilhões anuais. O crescimento médio das áreas potencialmente tratadas tem aumentado a uma taxa média de 23%. Mas ainda há campo para crescer? Se analisarmos o mercado por cultura, veremos que as práticas de adesão ao manejo biológico ainda encontram-se centrados nas commodities de soja e cana-de-açúcar (com 59% e 27%de adoção respectivamente). Ou seja, ainda veremos uma expansão vertiginosa nesta área. Aspectos regulatórios, e a credibilidade nos produtos, assim como a evolução destes serão cruciais para vermos esta realidade.

Se analisarmos apenas nas práticas comerciais, o mercado tende a expandir ainda mais. Por quê? Além das pressões globais, mais ligadas a aspectos ambientais e sustentáveis, devemos analisar o aspecto capital. A elaboração de novos ativos, novas moléculas que atendam aos aspectos comerciais, legais e sustentáveis pressiona e dificulta a cada dia mais o mercado de agroquímicos. As pesquisas apontam que, para obter um novo princípio ativo, no início dos anos 1950 era necessário testar cerca de 1.300 moléculas; no início dos anos 1990, 45 mil moléculas; e, em 2000, cerca de 140 mil moléculas, ao custo de US$ 184 milhões, valor elevado para US$ 256 milhões em 2008 [McDougall (2010)]. Uma das explicações para a maior dificuldade de desenvolvimento de novos ingredientes ativos seria que os compostos mais simples já teriam sido descobertos, o que limitava as possibilidades de novos desenvolvimentos [Hartnell (1996)]. O aumento de 39% nos custos totais de P&D por molécula nova lançada no mercado, entre os anos 2000 e 2008, foram maiores na etapa de desenvolvimento, cujo custo se elevou de US$ 79 milhões para US$ 146 milhões, em função das crescentes exigências regulatórias, que demandam estudos mais detalhados quanto às avaliações de segurança toxicológica e ambiental dos produtos.

Com base nestes dados, não é surpresa nos depararmos com um crescimento médio de 33% ao ano na indústria de defensivos agrícolas biológicos. Por categoria de produtos, os bioinseticidas lideram entre os mais vendidos, com 41% de participação, seguidos de bionematicidas (35%) e biofungicidas (24%). A revolução biológica já não é uma promessa de mercado, ou promessa de futuro, é uma realidade de mercado, e aqueles que não se atentarem tendem a perder seu espaço neste mercado a cada dia. Para os que ainda veem com reticência, ou descrença este mercado o tempo se encarregará. Aqui creio que cabem duas observações Darwinistas excepcionais:

1ª – “A ignorância gera mais frequentemente confiança que o conhecimento”. – Isto é, quanto menos sabemos de um assunto maior tendência a pensarmos que sabemos tudo.

2ª – “As espécies que sobrevivem não são as mais fortes, nem as mais inteligentes, e sim aquelas que se adaptam melhor as mudanças”.   

Sua empresa está na ignorância ou já está se adaptando as mudanças? Diante do cenário apresentado, nós da Laboragro® procuramos nos adaptar e acompanhar o mercado, trazendo aos nossos parceiros e clientes as melhores e mais confiáveis mudanças do mercado.

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